Este rosé é composto por Touriga Nacional (50%) fermentado em inox e Pinot Gris (50%) fermentado em barricas de carvalho francês de segundo ano. Quase caímos na tentação da fruta primária tipo morangos e cerejas, mas quando entramos mais nele percebemos que há mais, muito mais para explorar. A enóloga Maria Vicente criou um ambiente de grande complexidade numa categoria de vinho que normalmente se inscreve como festivo, ou "vin de soif". Chegamos-lhe uma massa italiana e percebemos do que ele é capaz. Muito equilibrado e sofisticado, está aqui um vinho pronto para altos voos culinários. Prato: Esparguete com bottarga de atum.
sábado, 13 de julho de 2024
Vinho: Tejo Ode rosé 2023 (12%) | Planeurimo - 21 euros
Omnívoros: 86
Este rosé é composto por Touriga Nacional (50%) fermentado em inox e Pinot Gris (50%) fermentado em barricas de carvalho francês de segundo ano. Quase caímos na tentação da fruta primária tipo morangos e cerejas, mas quando entramos mais nele percebemos que há mais, muito mais para explorar. A enóloga Maria Vicente criou um ambiente de grande complexidade numa categoria de vinho que normalmente se inscreve como festivo, ou "vin de soif". Chegamos-lhe uma massa italiana e percebemos do que ele é capaz. Muito equilibrado e sofisticado, está aqui um vinho pronto para altos voos culinários. Prato: Esparguete com bottarga de atum.
Vinho: Cazas Novas Origem Avesso Verdes branco 2022 (13%) | Soc. Agr. Casal de Ventozela - 22 euros
Omnívoros: 89
Fermentação em inox. Passagem e estágio das uvas das melhores parcelas de Avesso em barricas de 400L de carvalho francês. Vinhas de encosta, na transição que é conhecida como Douro Verde, quando o rio corre veloz em direcção à sua foz. Muita frescura, notas de vagens verdes e flores brancas e ao mesmo tempo impressões terrosas e de trufas. Longo e equilibrado em todos os momentos da prova. É um dos melhores vinhos Avesso da actualidade. Prato: Jardineira de vitela.
quinta-feira, 11 de julho de 2024
Vinho: Bojador Vinho de Talha Alentejo tinto 2023 (13%) | Espaço Rural - 42 euros
Omnívoros: 90
O tempo voa. A primeira edição deste título aconteceu em 2012, por iniciativa de Pedro Ribeiro, um dos mestres modernos das artes vínicas e um dos seus autores mais desinstalados. Foi lançado em todos os anos consecutivos, o que me surpreendeu, que acompanho a marca desde o primeiro instante. Não cabe aqui comentar sobre o que era então, mas há que reconhecer que a versão actual é de uma incrível elegância e aprumo técnico. As notas terrosas de fundo permanecem, mas sem a carga rústica que encontramos em quase todos os vinhos de talha ditos modernos. As castas Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa compõem um lote harmonioso e fino e promovem fruta fresca - ginja - como elemento de proa. Fermentação em talhas de barro, respeitando as técnicas ancestrais e utilizando apenas leveduras indígenas. Estágio de dois meses em garrafa. Prato: Perdiz estufada com castanhas.
Vinho: Casa Amarela Reserva branco 2023 (13,5%) | Quinta da Casa Amarela - 17,50 euros
Omnívoros: 92
Mais um ajuste de trajectória neste produtor, que no caso trouxe inegáveis vantagens. É um pouco como começar pelo fim, mas assim o mais importante fica dito. O Douro merece e precisa de brancos como este para demonstrar verdadeiramente a sua liderança. Estamos perante um branco de gabarito, produzido a partir de uvas próprias das castas Viosinho, Rabigato e Malvasia Fina. 80% do lote fermentou em inox, o restante em barricas novas de carvalho francês. O resultado é este vinho viril e ao mesmo tempo elegante, grupo de amargos bem trabalhado, a contribuir para a grande complexidade do conjunto. Está de parabéns João Pissarra, que com esta colheita se estreia na casa e cuja tarimba dispensa apresentações. Prato: Caril de lulas.
Vinho: Tapada da Fonte Touriga Nacional Alentejo tinto 2023 (14%) | Pista Wines - 18,50 euros
Omnívoros: 87
Um estreme de Touriga Nacional que mostra um Alentejo diferente, mais elegância que força, como hoje se pretende. António Pista é um empresário muito especial a vários títulos, por duas razões principais: a sua correcção e o seu conhecimento enológico. O vinho revela-se cítrico no nariz, aspecto patrimonial da casta de que é feito e copioso na boca, formando um todo de grande elegância e aptidão gastronómica. Comprimento de boca apreciável, rico em matizes de sabor e textura. Prato: Pato assado com laranja.
Vinho: Nosso Sauvignon Grande Reserva Douro branco 2021 (13%) | Clube Nosso - 14,50 euros
Omnívoros: 88
O meu primeiro contacto com a casta Sauvignon Blanc foi no primeiro curso de iniciação à prova de vinhos, que fiz muito a medo mas acabou por se revelar fundadora. Um dos muitos disparates que foi dito foi que o aroma de xixi de gato é típico da casta e é por isso uma forma de a identificar às cegas. Foi em 1991 e sabia-se muito pouco de vinhos em geral e defeitos em particular. A aprendizagem felizmente prossegue pela vida fora e cedo descobri que a tal tipicidade tinha a ver com a presença de terpenos mais ou menos pungentes e que num bom exemplar de Sauvignon Blanc não deveriam estar demasiado presentes e sobretudo não se deviam sobrepor às notas frutadas, florais e terrosas. Tudo isto me veio à cabeça pela extrema elegância que passei a esperar e encontrei neste exemplar maravilhoso, da lavra de José Carlos Fernandes. Amante ele próprio da casta, trabalhou com ela no Palácio de Mateus, numa vinha que veio a inspirar o best-seller que é hoje o Sauvignon Blanc da Lavradores de Feitoria. O que quero destacar é a notável postura enológica neste exemplar, que tendo embora notas terpénicas de evocação tropical, não toca sequer na orla do defeito, antes compõe um certo colorido rico de sensações. Na boca é discreto e ao mesmo tempo intenso, notas de fruta branca e vagens verdes. Complexidade e aptidão para a mesa, a passagem por barrica de carvalho francês assegurou-lhe exactamente isso, e final de boca suave e longo, à maneira do pianíssimo de um coral de Mahler. Prato: Ceviche.
terça-feira, 9 de julho de 2024
Vinho: Kopke São Luiz Winemaker's Collection Tinto Cão Douro rosé 2023 (12,5%) | Sogevinus - 22 euros
Omnívoros: 93
Uvas Tinto Cão da Quinta de São Luiz, cota cerca de 400 metros. 80% do lote fermentou em inox e os restantes 20% em barricas usadas. No fim da fermentação alcoólica, o lote final estagiou seis meses em inox com bâtonnage semanal. Trabalho de Ourives de Ricardo Macedo, revelando conhecimento profundo da casta. Aromas florais e de ameixa preta cozida, boca a surpreender pela força e equilíbrio. Comprimento impressionante, para terminar mineral e rico. Prato: Caril de frango à goesa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





