terça-feira, 8 de maio de 2018

Bons Tempos, em Vila Real: O charme que sabe a sempre

Classificação
O espaço: 4
O serviço: 3
A comida: 4,5

Vive-se bem na cidade de Vila Real, capital de Trás-os-Montes, o Marão, as Fisgas de Ermelo, Mateus, o Douro logo ali e tantos outros encantos fazem com que visitá-la seja imperativo sentimental. No Bons Tempos a leitura franca dos sabores transmontanos tem o toque cosmopolita e abre as portas ao mundo.

Alexandra Amorim decidiu em boa hora dar continuidade ao trabalho dos seus pais, transformando um espaço de taberna em restaurante de perfil moderno. O receituário familiar e regional seria partilhado com todos, em nome dos bons tempos de outrora e apostado nos bons tempos futuros, que são os que estamos a construir em cada refeição que ali fazemos. Desde Agosto de 2009 que Vila Real conta com este lugar de tertúlia junto ao mercado onde tanto se petisca como se almoça ou janta e onde o bom vinho corre como o os caprichosos Corgo e Cabril, os rios que abrem algumas das mais belas paisagens portuguesas e que enformam Vila Real. Tripas aos molhos (3,5 euros), moura grelhada (4,2 euros) e pataniscas de bacalhau (3 euros) configuram delícia e pouco mais precisamos para com um copo de vinho da brilhante Adega de Vila Real dar a empreitada por completa. Mas estamos em Trás-os-Montes e ninguém pode sair sem o conforto pleno atingido. Entregamo-nos mais que facilmente ao bacalhau na broa de milho em cama de grelos e batata a murro (9,5 euros), feito com azeite e mão que enfeitiçam e viciam desde o primeiro contacto, ou ao polvo grelhado com batata e legumes (12,5 euros), um louvor culinário aos bons tempos de há muito tempo que todo o português visita com saudade. Sedução garantida no belíssimo entrecosto de vinha d’alhos com arroz de carqueja (17 euros, 2 pessoas), a mais portuguesa das ervas, surpresa inefável nas costeletas de borrego grelhadas, molho de ervas do marão e batata à antiga (10,8 euros), Alexandra e Manuela Brulha, oficiante na cozinha, têm aqui uma proposta de sabores e aromas que colocam o planalto vilarealense entre os paraísos das ervas aromáticas, muitas delas autóctones. Bom seria que todas as mesas tivessem o cuidado de as oferecer aos seus clientes, do tanto que há ainda por desbravar. O lombinho de vitela flamejado em porto, batatas alouradas e legumes (13 euros) mostra a força da proximidade e abre uma janela para o pouco praticado vinho do Porto nas nossas cozinhas. E é tão bom o peito de frango grelhado da casa da avó com arroz de cogumelos selvagens (9,5 euros)! A simplicidade é o grande reduto da tradição culinária portuguesa, está aqui bem demonstrado. Há uma ementa vegan disponível para os que renunciam à proteína animal, mas é impossível renunciar às sobremesas. Único e muito bom o gratinado de castanha (3,9 euros), excepcional a tarte merengada de frutos secos e creme de ovos (3,6 euros), assim como os figos fritos com gelado de frutos silvestres (3,9 euros). No lado patrimonial, a vénia ao queijo serra da estrela, pito de santa luzia e compota (4,5 euros). Mas a vénia há que a fazer a Alexandra Amorim, em nome dos bons tempos que passámos e dos que nos esperam. Muitas vezes.

Restaurante Bons Tempos
R. Santa Sofia 41
5000-680 Vila Real
Tel. 963 626 564
12:00-14:30; 19:00-22:30
Fecha: Terça e jantar de Domingo
Preço médio: 20 euros

A refeição ideal
Salada de orelha de porco (2,6 euros)
Pataniscas de bacalhau (3 euros)
Bacalhau Bons Tempos (9 euros)
Entrecosto de vinha d’alhos com arroz de carqueja (17 euros, 2 pessoas)
Gratinado de castanha (3,9 euros)

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