domingo, 23 de março de 2025

Da Cuquinha Cainho de Moreira do Lima Escolha Verdes branco 2021 (12%) | Casa da Cuca - 20 euros

 

Omnívoros: 93
Este vinho é uma pérola em vários sentidos. Conheci o produtor há uns anos, numa prova que dei no Centro de Interpretação dos Vinhos Verdes, em Ponte de Lima, ainda antes da pandemia.  O tema era a casta Loureiro e - passe a imodéstia - correu muito bem. Vinhos de vários produtores da casta, com vinhos muito especiais e cheios de personalidade. E todos invariavelmente a referir no contra-rótulo a boa proximidade com peixe grelhado.e marisco. Insurgi-me e promovi uma prova em que demonstrei que a Loureiro é uma casta muito especial. Em primeiro lugar, evolui devagar em garrafa e em segundo lugar reage nos primeiros anos mal à melamina e dimetilamina. Isso torna-a incapaz de acompanhar peixe e mariscos grelhados, coisa que a Alvarinho faz na perfeição. Por outro lado, esperando por ela 3 ou 4 anos, torna-se deliciosa e muito amiga da comida. Foi então que o dito produtor me falou da casta Cainho de Moreira do Lima, que eu não conhecia. Ficámos sempre em contacto desde então e ele acabou por me enviar uma garrafa já com alguns anos, com indicação expressa de esperar um par de anos pelo menos, que me ia surpreender. E foi exatamente isso que aconteceu. Sabem com que o harmonizei? Perna de cordeiro mirandês assada. E andou muito bem. Sempre a aprender! Quanto a este vinho muito especial, além do zénite atingido, ainda há que reforçar que no nariz sugere figo fresco, melão e tomate, e na boca estão bem presentes as notas de flores silvestres, cogumelos frescos e ameixa branca. Prato: confirmo a perna de cordeiro assada com cravinho.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Adega São Mamede Grande Reserva Lisboa tinto 2019 (14%) | Ad. Coop. S. Mamede da Ventosa - 22 euros

Omnívoros: 89
Belíssimo vinho, proveniente de uma adega cooperativa! Estamos perante um caso exemplar a todos os títulos, com liderança enológica brilhante de António Ventura. Produzido a partir de uvas rigorosamente seleccionadas das castas Touriga Nacional, Syrah e Caladoc, fermentadas separadamente, configura vinho multiusos que vamos querer utilizar em ocasiões especiais. Curtimenta clássica com ligeira maceração pós-fermentativa, maloláctica em inox. Estágio de doze meses em barricas novas de carvalho francês, seguido de estágio de 18 meses e garrafa. Fruta de caroço em evidência, notas florais acentuadas. na boca mostra ameixa preta madura, juntamente com tapenade de azeitona preta e caruma fresca. Comprimento assinalável, para terminar longo e copioso. Prato: cabrito assado no forno.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Quinta de Pancas Grande Reserva Lisboa tinto 2021 (14%) | Winestone - 17 euros

Omnívoros: 87
Compõem esta nova referência de Pancas uvas de vinhas com 30 anos de Cabernet Sauvignon e de 18 anos de Touriga Nacional. Duas castas fundamentais na história deste terroir único, de que guardo as melhores recordações. Tiveram processamentos diferentes na adega. A Cabernet Sauvignon teve maceração pós-fermentativa de 21 dias, fazendo a maloláctica em barricas novas e de segundo ano. Estágio de doze meses. A Touriga Nacional fez maceração pré-fermentativa ao longo de três dias, fermentou e fez a maloláctica em inox. Estágio de doze meses em barricas usadas. Nariz a exprimir bem as pirasinas da Cabernet, juntamente com sugestões de bagas de arbusto. Boca bem integrada, sugestões de ameixa madura, folha de laranjeira e toques de ginja. Final longo e especiado. Prato: arroz de pato.

Casa de Rodas Alvarinho Verdes branco 2023 (13%) | Symington - 18,50 euros

Omnívoros: 88

Desde que a família Symington deixou de advogar exclusivamente os vinhos do Porto - no que foi pioneira entre os grandes produtores dos prestigiados néctares - que as boas novidades não cessam de aparecer no mercado. Este Alvarinho, da região dos Verdes de Monção e Melgaço, é disso belíssimo exemplo. A Casa de Rodas, em Monção, foi adquirida pelos Symington em 2020, que logo chamou Anselmo Mendes para assegurar a supervisão enológica, dada a sua mais valia no complexo capítulo dos vinhos verdes de qualidade. Colheita manual, desengace total e prensagem suave. Fermentação ao longo de três semanas. Estágio sobre as borras finas durante seis meses. No nariz, mostra flores brancas e vagem verde de ervilhas, enquanto na boca se apresenta fresco, vibrante e com excepcional acidez. Bom comprimento, vocação forte para a mesa. Prato: sushi.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Herdade Aldeia de Cima Garrafeira Alentejo tinto 2021 (14%) | Herd. Aldeia de Cima do Mendro - 90 euros

Omnívoros: 91
Supervinho originário de solos xisto-argilosos, da latitude da Vidigueira. Encepamento Alicante Bouschet (50%) e Aragonês (50%). Fermentação e estágio de 18 meses em balseiro novo de carvalho francês de 3.000L. Estágio de 18 meses em garrafa. Estamos perante um topo de gama da HAC, com a intervenção reduzida ao mínimo e um reticulado tânico muito fino. Nariz ligeiramente balsâmico, juntamente com sugestões terrosas e de alcaçuz. Na boca é muito macio e aveludado, com um meio de boca expressivo. Final longo, com sugestões de torrefacção e chocolate negro. Prato: Borrego assado no forno.

sábado, 31 de agosto de 2024

Qalt Colheita Tardia Semillon Douro branco 2019 (13%) | Quinta Alta 375ML - 39 euros

 

Omnívoros: 91

Produzido a partir da casta Sémillon em estreme, tem a mão de um grande autor de vinhos, Francisco Montenegro, que é também o enólogo consultor da Quinta Alta. Botrytis Cinerea em grande estilo, num pano de fundo a um tempo doce e amargo, criando uma atmosfera de prova que convida à exploração sápida e intensa desta pequena maravilha. Notas de marmelo cozido, laranja amarga e sardinheira povoam a impressão olfactiva do vinho, enquanto na boca temos impressões de fruta de caroço cozida, ruibarbo e marmelada. Final longo e equilibrado. Prato: Tarte de alperce.

domingo, 28 de julho de 2024

Vinho: Casal Martins Cabernet Sauvignon Grande Escolha Tejo tinto 2019 (14,5%) | Adega Casal Martins - 9,40 euros

Omnívoros: 86

Anca Poiana é hoje uma grande enóloga e agregadora de terroirs. Conheci-a na sua fase mais experimentalista, quando ainda estava nos anos verdes da sua brilhante carreira enquanto produtora de vinhos e já então procurava vinhas velhas na sua região (Tomar) para construir o matizado de expressões e matizes que tinha dentro da alma. Este vinho representa muito desse labor que incessantemente a fazia sair de casa em busca das uvas ideais. Quem acha que vai encontrar terpenos e pirasinas que sempre tivemos como típicas na casta Cabernet Sauvignon, desengane-se. Aqui há equilíbrio, balsâmicos e vagens verdes, mas ligados a uma matriz mineral e não às prisões vezeiras que encontramos pelo mundo. Fermentou em inox e fez a malolática com a vigilância desta sábia, resultando num vinho copioso e focado, taninos finos e bem domados. Prato: Arroz de pato.