É muito difícil, além de necessariamente injusto, fazer julgamentos do tipo “ o melhor restaurante”, hotel, praia ou vista. Como é evidente, depende dos critérios utilizados e do que se procura avaliar. Por muitas voltas que demos, nunca a questão do gosto será universal, nem tão pouco caminho para um alinhamento justo dentro de determinada categoria. Andando pelo Algarve atrás, fui há um par de semanas apanhado por pensamentos provocatórios – de mim para mim -, enquanto jantava no restaurante onde outrora existia um telheiro que servia peixe grelhado divinal. Deu lugar a um lugar que se entende como moderno, mas onde se come francamente mal. O dono morreu, explicaram-me, enquanto me tentava conter perante o odor da margarina queimada que erradamente marcava o fundo das minhas gambas ao guilho (“al ajillo”, como eu pedi, não tinham, “nós servimos é o guilho”). Tomaram conta do lugar e então “fizeram uma coisa mais moderna”. Os filetes de pescada eram cómicos; daqueles que nem de pescada são e que compramos no hipermercado, depois fritos em óleo de terceira categoria, à temperatura errada. O chão tremia, à passagem dos empregados, o que me pareceu estético, em sintonia com toda a insegurança da experiência. Era da construção de qualidade que fizeram, no lugar do telheiro de boa memória onde se comia como no céu. No fim paguei mais de 50 euros, saí dali com uma pena enorme do que ali aconteceu. Ao longo dos últimos 20 anos, habituei-me à ideia de que as coisas estavam a melhorar no Algarve. Um pouco por todo o lado, bom peixe, marisco, sítios bonitos, empregados bem treinados, até novos e bons produtores de vinho; tudo a sugerir que se estava melhor. Fiquei um bocado triste.
Mas não se pode tomar o todo pela parte e há muita gente em total contraciclo com o a fenómeno “armadilha de turista” que acabei de relatar. A excelência da alta cozinha está ao rubro no Algarve. Temos ali a nossa maior concentração de estrelas Michelin, e não é em vão nem, como muitos julgam, por força do capital. Se assim fosse, haveria mais no nosso país. Tal como o dono do telheiro que servia um peixe fabuloso, temos de ir à procura das grandes personalidades que estão por detrás dos igualmente grandes projectos. Claudia Jung, fundadora com o seu marido Klaus do super-restaurante Vila Joya, na Praia da Galé, já não está entre nós, mas começou um projecto de grande excelência que continua a merecer as duas estrelas Michelin que ainda ostenta. Aproveito para desejar à ainda jovem Joy, filha do casal Jung que assumiu em pleno a direcção daquela casa, que siga o seu coração enquanto motor da vontade e que jamais desanime; nós cá estamos, para tirar as pedras do caminho. E tenho de pôr os olhos na figura prodigiosa de Kurt Gillig, actual director do super-hotel Vila Vita Parc, em Alporchinhos. É chef de formação, trabalhou no Vila Vita ainda como cozinheiro, depois passou a director de vinhos e comidas e desde há alguns anos é o director geral do hotel. A sua obsessão pela qualidade e rigor, sempre a favor do cliente individual, encontrou braço valente no irrequieto e enérgico chef Hans Neuner, e fizeram do Ocean, o restaurante top do Vila Vita, o dois estrelas que é hoje. Na noite seguinte ao descalabro que relatei no primeiro parágrafo, jantei no Ocean. Já fiz lá várias refeições, mas devo confessar que só uma de há um ano, por razões que guardarei para sempre no meu coração, superou a sensação de redenção que tive. Coreografia de sala impecável. Serviço a toda a prova. Conhecimento dos empregados de cada prato. Sequência de proteínas e temperos no menu de degustação. Acerto dos vinhos escolhidos. Ritmo. Procurei na memória experiências semelhantes e vieram três, duas delas em Espanha, outra em França. Curiosamente, com o denominador comum de três estrelas Michelin. Não tenho dúvidas de que será o Ocean o nosso primeiro a chegar ao topo da escala.
domingo, 28 de julho de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Laurentina, o Bacalhau e a abundância
Chouriço assado na brasa, bacalhau à Brás, tigelada. E sobretudo casa cheia, como agora se diz que já não há... Se estava bom? Estava sim. Se fui bem atendido? Fui sim, por empregados felizes por me ter aqui com eles. Roda viva, barulho, cheira a bacalhau que tresanda. Mas as pessoas estão em festa e a festejar. Assim vale a pena. O prazer que dá, comer numa casa assim. Laurentina, R. Conde Valbom, Lisboa.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Tradicionalidades
Curioso. Já sabemos que não há uma cozinha nacional, o que há é uma amálgama mais ou menos consistente de cozinhas regionais. Mas com tantas mexidelas no tempo, nas batalhas, nas idas e vindas, como tem tanta gente certezas acerca de "isto é daqui" e "isto é dali". Acho impossível. Só mesmo o nosso jeito para estragar o que paulatinamente construímos - nós e os nossos antigos -, transformando a ideia em pressuposto. Vamos olhar um bocado para o que temos afinal no nosso país?
domingo, 30 de setembro de 2012
Quinta Encosta das Freiras
Realmente, nem tudo está perdido! Por recomendação de amigos, fui dar ontem com um turismo "Casa de Campo" de que nunca tinha ouvido falar. Fernanda Capão e José Henriques deram novo fôlego à que foi outrora casa de retiros das monjas de Alcobaça. A Encosta das Freiras, nome com que ficou imortalizado o lugar que triangula Caldas da Rainha com Alcobaça, é imperdível. Dez quartos, restaurante (chef Sílvio Martins, escola Vítor Sobral) e espaços diversos para um verdadeiro turismo do silência, como se recarrega baterias por aqui.
A cozinha só abriu há uma semana, pelo que é muito cedo para a julgar e avaliar por enquanto. Mas promete! 20 Eur/pessoa. Quartos ficam a cerca de 65 Eur/noite.
http://www.booking.com/hotel/pt/encosta-das-freiras.pt.html
A cozinha só abriu há uma semana, pelo que é muito cedo para a julgar e avaliar por enquanto. Mas promete! 20 Eur/pessoa. Quartos ficam a cerca de 65 Eur/noite.
http://www.booking.com/hotel/pt/encosta-das-freiras.pt.html
terça-feira, 19 de junho de 2012
Cocktail Pearls, Chefes e Mendes Pereira no Kiss the Cook

Encontro marcado para as 4 da tarde de hoje, no “Kiss the Cook” da LX Factory. O programa era provar esferificações da Pescaviar (Espanha), integradas por Luís Barradas, sushiman e não só, e João Sá, chefe de mão segura, intelectualmente orientado, daqueles que ainda consegue dar emoção a uma mesa. Achei cómico, ver as bolinhas que já foram grande inovação cá pelo burgo e pelos burgueses do mundo, acondicionadas em boiões de vidro, prontas a usar. Ao mesmo tempo, fiquei muito aliviado, porque há assuntos da cozinha dita molecular que ou são executados de forma exemplar ou então mais vale comprar feito. Vêm então as esferas furiosas em seis variações difererentes: Maçã-Gengibre; Chili; Morango; Limão-Pimenta; Lima-Limão; e Vinagre-Chalota. Demasiado consensual a primeira, o gengibre está posto a medo, disseram-me por ser o que o mercado procura. Dava tudo para ter o telefone desse tal mercado! O Chili está bem, a cumprir o seu papel de intensificador de sabor. Lima-Limão interessante e Vinagre-Chalota a mostrar-se vocacionado para saladas e coisas frescas. O morango, a mim disse-me muito pouco, mas isso sou eu; a rapaziada presente estava toda bem-disposta. Talvez efeito dos copiosos vinhos da Quinta Mendes Pereira, pontificando hoje com um branco (Encruzado) e um rosé (Touriga Nacional). O Dão em esplendor. As janelas de vidrinhos do Kiss the Cook foram abençoadas por um sol que nas últimas semanas tem andado zangado com Lisboa e de repente até parecia que estávamos em Portobello Road. Saudades outra vez de Londres, e vim de lá há apenas 3 dias. Delícia.
A onda neste lugar é muito boa. A literatura disponível é um bocado cor-de-rosa – Jamie Oliver, e outras inglesisses à venda -, mas o plano de trabalhos é sério. É uma espécie de cozinha de sonho num jardim de inverno. As temperaturas das coisas de comer estavam totalmente erradas, mas havia coisas muito certas. O arroz para o sushi foi preparado por Luís Barbosa como deve ser, ali à nossa frente, enquanto britávamos umas tostinhas de salmão com bolinhas de chili, que lavávamos com branco (eu). Olhei à minha volta e a malta basicamente estava atirada ao rosé. Mudei para o vermelhinho, bem mais atinado para a cena sólida. Tataki de atum também não faltou, que com esferificações de maçã-gengibre. Bem. A única cabeçada foi a das ostras. Quentes quentes quentes, e além disso faltou-lhes a assessoria das esferinhas de lima-limão. Tive pena. Mas há coisas na vida piores. A série frutada das esferificações enfrascadas Pescaviar funciona. Deu-me vontade de experimentar, pelo que marquei na agenda o nome de Pablo Nogueira, o homem da Ecoatitude.
A comida de João Sá é sempre boa e tem sempre o que a vida deve ter: Temperança. É um artista do sabor por que poucos verdadeiramente deram até hoje. No Gspot, em Sintra, demonstra-o a toda a hora e com toda a força. Depois, falar com ele e com os acidentais de sempre, por exemplo Mário Cerdeira, Virgílio Gomes, Luís Portugal, José Nobre e João Cavaleiro Ferreira, é um prazer. Superado apenas pela surpresa de ali encontrar Cristina Lima, filha de Pedro Lima, dono do algarvio e bom Monte da Eira, restaurante referencial de Querença, e finalmente conhecer Ana Pena, super-consultora de imagem, espelho do próprio céu, aquele que se pensa sempre que já se perdeu, uma glória para qualquer mortal. Que encabulado fiquei.
Vai ser difícil esquecer esta tarde. Obrigado, Raquel Mendes Pereira.
domingo, 27 de maio de 2012
Brilho branco em Azeitão
A Bacalhôa Vinhos apresentou os seus vinhos brancos no dia exacto em que a chuva deu lugar ao resplendor estival. Dez vinhos novos e glórias mais antigas.
Quem anda no mundo do vinho tem de estar sempre preparado para a surpresa. A prova de vinhos brancos que a Bacalhôa preparou no histórico Palácio da Bacalhôa, em Azeitão, não podia ser demonstração mais clara desse princípio fundador. Provenientes da Península de Setúbal, Alentejo, Bairrada e Dão, foram dez os vinhos apresentados na varanda que dá para o jardim e para a vinha velha que alimenta ainda hoje o Quinta da Bacalhôa. O sol e calor que se fizeram sentir foram para além das boas-vindas à Primavera; antes, prenunciaram o Verão quente e sequioso que Portugal sempre tem. A mesa é para nós lugar de festa e na canícula saudamos o bom vinho branco. Aquele que nos permite saborear em modo feliz um peixe grelhado. Que nos faz estar no descasque de marisco por mais de uma hora. Que nos faz perceber a virtude de um queijo. E sobretudo que condiz com o trajar mais ligeiro e fresco, a pensar na praia, quando não já com os pés na areia.
Filipa Tomaz da Costa e Vasco Penha Garcia, os enólogos da casa, acompanharam a prova com o carinho de quem fala dos seus filhos. Nada podia fazer imaginar, no entanto, que na altura do brilhante almoço servido pela Casa da Comida iria haver um desfile de coisas antigas. Genial, o Late Harvest 1982, o primeiro de todos, fulminantes os Cova da Ursa Chardonnay de 2006 e 2004, especialmente este último, e o Catarina 1981, que eu classifico como campeão de todo o evento. Destrói, como tantos outros, o mito de que os brancos portugueses não envelhecem bem. Com este tipo de equilíbrio e elegância, são eternos.
OS VINHOS
15 - JP Azeitão Regional Península de Setúbal branco 2011 – 1,99 Eur
Imbatível na relação preço-qualidade, apresenta o melhor balanço entre as castas Moscatel e Fernão Pires. Brilhante para um copo no final de uma tarde de sol.
16 – Serras de Azeitão Seleção do Enólogo Regional Península de Setúbal branco 2011 – 2,49 Eur
Feito de Fernão Pires, Verdelho e Arinto, consegue uma boa estrutura de boca e revela uma frescura que o distingue dos vinhos da região. Vai bem com queijo de Azeitão.
16,5 – Catarina Regional Península de Setúbal branco 2011 – 5 Eur
Tudo muito afinado neste vinho, a apresentar um comprimento de boca interessante, num registo de complexidade. Vinho bom para sushi.
17 – Cova da Ursa Chardonnay Regional Península de Setúbal branco 2011 – 12 Eur
É uma das referências nacionais da casta Chardonnay. A boa colheita que foi 2011 faz-se sentir aqui num vinho de recorte clássico e sofisticado. Foi provado ao lado do 2010 e teve a mesma nota. Fabuloso para uma boa caldeirada.
18 – Quinta da Bacalhôa Regional Península de Setúbal branco 2010 – 14 Eur
Está aqui um grande vinho, com muito ainda para dar. Muito afinado e elegante, apresenta fruta, flores e especiarias em conjunto de grande equilíbrio. É vinho para estar horas à mesa, de volta de um pargo assado.
16 – Quinta dos Loridos Alvarinho Regional Lisboa branco 2010 – 4,5 Eur
Se atentarmos no preço, é um campeão e só por si mostra-se na linha das edições anteriores. Demonstra bem o potencial da casta Alvarinho fora da região dos Verdes. Dada a sua boa acidez, vai bem com uma feijoada de chocos.
14,5 – Alabastro Regional Alentejano branco 2011 – 3 Eur
Vinho directo e capaz, proporciona prova agradável, com tudo integrado numa tonalidade madura, como se espera de um vinho alentejano. Clara vocação petisqueira. Percebes, amêijoas à Bulhão Pato são boas harmonizações.
17 – Quinta do Carmo Regional Alentejano branco 2011 – 7,50 Eur
Muito bem trabalhado. Fino, com contornos bem definidos, desenvolve complexidade apreciável na boca. Pede arroz de marisco ou uma boa açorda de camarão.
14,5 – Angelus Escolha DOC Bairrada branco 2011 – 3 Eur
Está ligeiramente magro na boca, mas apresenta boa tipicidade bairradina, dando prazer a beber. É vinho para aguentar bem uma caldeirada de enguias.
15,5 – Galeria Bical DOC Bairrada branco 2011 – 4 Eur
Saúda-se neste vinho a originalidade e o trabalho feito sobre a casta Bical que sai com um corte evocativo de outras, como Arinto. Bom para a muito regional raia de pitau.
16 – Quinta da Garrida DOC Dão branco 2011 – 5 Eur
Bom exemplar para quem quer conhecer a casta Encruzado sem gastar muito. Aprecia-se nele a frescura e o comprimento em boca. Vai bem como bacalhau à lagareiro.
Quem anda no mundo do vinho tem de estar sempre preparado para a surpresa. A prova de vinhos brancos que a Bacalhôa preparou no histórico Palácio da Bacalhôa, em Azeitão, não podia ser demonstração mais clara desse princípio fundador. Provenientes da Península de Setúbal, Alentejo, Bairrada e Dão, foram dez os vinhos apresentados na varanda que dá para o jardim e para a vinha velha que alimenta ainda hoje o Quinta da Bacalhôa. O sol e calor que se fizeram sentir foram para além das boas-vindas à Primavera; antes, prenunciaram o Verão quente e sequioso que Portugal sempre tem. A mesa é para nós lugar de festa e na canícula saudamos o bom vinho branco. Aquele que nos permite saborear em modo feliz um peixe grelhado. Que nos faz estar no descasque de marisco por mais de uma hora. Que nos faz perceber a virtude de um queijo. E sobretudo que condiz com o trajar mais ligeiro e fresco, a pensar na praia, quando não já com os pés na areia.
Filipa Tomaz da Costa e Vasco Penha Garcia, os enólogos da casa, acompanharam a prova com o carinho de quem fala dos seus filhos. Nada podia fazer imaginar, no entanto, que na altura do brilhante almoço servido pela Casa da Comida iria haver um desfile de coisas antigas. Genial, o Late Harvest 1982, o primeiro de todos, fulminantes os Cova da Ursa Chardonnay de 2006 e 2004, especialmente este último, e o Catarina 1981, que eu classifico como campeão de todo o evento. Destrói, como tantos outros, o mito de que os brancos portugueses não envelhecem bem. Com este tipo de equilíbrio e elegância, são eternos.
OS VINHOS
15 - JP Azeitão Regional Península de Setúbal branco 2011 – 1,99 Eur
Imbatível na relação preço-qualidade, apresenta o melhor balanço entre as castas Moscatel e Fernão Pires. Brilhante para um copo no final de uma tarde de sol.
16 – Serras de Azeitão Seleção do Enólogo Regional Península de Setúbal branco 2011 – 2,49 Eur
Feito de Fernão Pires, Verdelho e Arinto, consegue uma boa estrutura de boca e revela uma frescura que o distingue dos vinhos da região. Vai bem com queijo de Azeitão.
16,5 – Catarina Regional Península de Setúbal branco 2011 – 5 Eur
Tudo muito afinado neste vinho, a apresentar um comprimento de boca interessante, num registo de complexidade. Vinho bom para sushi.
17 – Cova da Ursa Chardonnay Regional Península de Setúbal branco 2011 – 12 Eur
É uma das referências nacionais da casta Chardonnay. A boa colheita que foi 2011 faz-se sentir aqui num vinho de recorte clássico e sofisticado. Foi provado ao lado do 2010 e teve a mesma nota. Fabuloso para uma boa caldeirada.
18 – Quinta da Bacalhôa Regional Península de Setúbal branco 2010 – 14 Eur
Está aqui um grande vinho, com muito ainda para dar. Muito afinado e elegante, apresenta fruta, flores e especiarias em conjunto de grande equilíbrio. É vinho para estar horas à mesa, de volta de um pargo assado.
16 – Quinta dos Loridos Alvarinho Regional Lisboa branco 2010 – 4,5 Eur
Se atentarmos no preço, é um campeão e só por si mostra-se na linha das edições anteriores. Demonstra bem o potencial da casta Alvarinho fora da região dos Verdes. Dada a sua boa acidez, vai bem com uma feijoada de chocos.
14,5 – Alabastro Regional Alentejano branco 2011 – 3 Eur
Vinho directo e capaz, proporciona prova agradável, com tudo integrado numa tonalidade madura, como se espera de um vinho alentejano. Clara vocação petisqueira. Percebes, amêijoas à Bulhão Pato são boas harmonizações.
17 – Quinta do Carmo Regional Alentejano branco 2011 – 7,50 Eur
Muito bem trabalhado. Fino, com contornos bem definidos, desenvolve complexidade apreciável na boca. Pede arroz de marisco ou uma boa açorda de camarão.
14,5 – Angelus Escolha DOC Bairrada branco 2011 – 3 Eur
Está ligeiramente magro na boca, mas apresenta boa tipicidade bairradina, dando prazer a beber. É vinho para aguentar bem uma caldeirada de enguias.
15,5 – Galeria Bical DOC Bairrada branco 2011 – 4 Eur
Saúda-se neste vinho a originalidade e o trabalho feito sobre a casta Bical que sai com um corte evocativo de outras, como Arinto. Bom para a muito regional raia de pitau.
16 – Quinta da Garrida DOC Dão branco 2011 – 5 Eur
Bom exemplar para quem quer conhecer a casta Encruzado sem gastar muito. Aprecia-se nele a frescura e o comprimento em boca. Vai bem como bacalhau à lagareiro.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Vinhos Míticos Portugueses
Escrevi há cerca de um mês, ao correr da pena, uma lista de "Vinhos Míticos", para publicar num suplemento do DN/JN. Por imperativos de espaço editorial, o texto saiu bastante cortado, pelo que deixo aqui o original.
Esta é uma lista necessariamente emocional. Infelizmente, os grandes vinhos portugueses praticamente não existem nas compilações internacionais, mas deviam figurar, pela sua genuinidade, originalidade e qualidade. Um vinho fantástico é um vinho que tem pontuações elevadas na crítica, enquanto um grande vinho é um vinho que, podendo não chegar às pontuações mais elevadas, fala do sítio de onde vem e conta uma história. Esta é, portanto, uma lista de grandes vinhos, por isso também míticos.
Grandjó branco 1920
Douro
Um vinho branco absolutamente fenomenal, incrível pela sua longevidade e, mesmo agora, equilíbrio. Parece mel, esta maravilha, e que bem se porta à mesa!
Bussaco branco 1957
Beiras
Os vinhos do Hotel Palace do Buçaco tiveram no falecido José Santos um criador e guardião como poucos no mundo. De proveniências que só ele sabia, os vinhos tem um potencial de guarda fabuloso.
CRF Garrafeira Particular 1938
Vinho de Mesa
Outra marca mítica, a Carvalho Ribeiro e Ferreira albergava vinhos de todas as partes do país, visando apenas a qualidade do produto final. Este tinto de 38 não dá para acreditar, mas há muitos mais. Difícil é encontrá-los.
Colares Viúva Gomes 1960
Colares
Das terras de areia de Colares, saíram os vinhos que mais dividem os portugueses. Ou se amam ou se odeiam. Mesmo assim, uns e outros deviam conhecer esta relíquia de 60.
Caves de S. João 1961
Bairrada
A Bairrada no seu melhor, neste vinho de grande estilo, a oscilar entre um Saint Emilion (Bordéus, França) e um Barolo (Piemonte, Itália). Ainda se encontra nalgumas garrafeiras.
Mouchão 1963
Alentejo
Como se explica que um vinho alentejano tenha tamanha força e longevidade, com quase 50 anos? Quem souber a resposta, também sabe como se faz um grande vinho.
Barca Velha 1966
Douro
De todos os Barca Velha, à partida todos também de grande perfil, escolho este por ser aquele que cumpre o paradigma que o Douro de hoje procura. Elegância e equilíbrio, eternos.
Tapada do Chaves 1971
Alentejo
Outro portento alentejano, este já a raiar a Beira, com as suas vinhas de altitude e os invernos austeros.
Valle Pradinhos 1985
Trás-os-Montes
Desta casa, devíamos alinhar todos os vinhos, brancos e tintos, porque todos são fenomenais. Num solo complexo e clima muito difícil para a boa maturação das uvas, estão vinhas de antologia. Este 85 conta quase toda a história. Notável.
Coop. Agrícola de Granja Terras do Suão Garrafeira 1983
Alentejo
Fez furor na altura este alentejano lá bem de baixo quando se notabilizou num concurso internacional. Ainda hoje se mantém em óptima forma.
Quinta do Côtto Grande Escolha 1985
Douro
Esta quinta foi a primeira a engarrafar vinho de mesa no Douro, produzindo tintos de grande fôlego. Provar este vinho hoje é um grande prazer.
Esporão Reserva 1986
Alentejo
O primeiro vinho da casa que hoje dispensa apresentações. Fruto da visão de um homem a quem muito todos devemos, Joaquim Bandeira, foi com José Roquette que veio a receber o impulso empresarial fundamental. Um grande vinho, este 86.
Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Alentejo
Mais um alentejano! Júlio Bastos tem um património difícil de superar na sua frasqueira. Este garrafeira é para mim o pináculo da qualidade e o grande paradigma do que o Alentejo tem para dar.
Gonçalves Faria Tonel 5 1990
Bairrada
Apesar da fama de produzir vinhos rústicos e difíceis, a Bairrada produziu alguns vinhos históricos e eternos que no dizer de toda a gente sempre foram fantásticos. Aqui está um, para quem quer explorar o filão.
Quinta da Bica 1991
Dão
É uma das mais belas casas de Portugal e também um dos mais exóticos lugares de vinho. Resultado da paixão de João Sacadura Botte e do enólogo Magalhães Coelho, hoje ambos falecidos, saiu este vinho que não tem qualquer tipo de madeira no seu estágio. Hoje é Filipa, viúva do fundador, juntamente com a sua filha Madalena, que governa os seus destinos.
Duas Quintas Reserva 1992
Douro
Se utilizássemos a regra de quatro grandes vinhos numa década para eleger uma grande marca, o Duas Quintas Reserva certamente seria a campeã absoluta. João Nicolau de Almeida continua a repetir o milagre, agraciando-nos com vinhos assim. Este 92 não tem explicação. Ainda bem.
Quinta das Bágeiras Garrafeira 1995
Bairrada
Provém de vinhas centenárias este garrafeira, o primeiro e talvez o maior produzido pelo ainda jovem Mário Sérgio Alves Nuno. Há que provar as colheitas mais recentes para conferir a sua grande qualidade.
Luís Pato Vinha Pan 1995
Bairrada
Foi o primeiro vinho de terroir digno desse nome produzido por Luís Pato. Continua em grande forma e apto para a boa mesa, como se os anos não tivessem passado por ele.
Luís Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 1995
Bairrada
De um talhão de vinha pré-filoxérica teve Luís Pato o engenho de produzir este demonstrador das virtudes dos solos bairradinos. Quando saiu custava cerca de 100 Euros, o que foi um certa escândalo. Agora...
Quinta da Gaivosa 1995
Douro
Domingos Alves de Sousa conquistou, com a sua tenacidade e com o seu trabalho, uma reputação que o equipara a casas com mais poder económico, suas concorrentes. Este 95 foi o primeiro Gaivosa e provavelmente continua a ser o melhor.
Niepoort Redoma 1996
Douro
Lembro-me de sentir neste vinho o pulsar de um novo Douro, pela mão do então enigmático e curioso Dirk Niepoort. Ainda hoje vale a pena provar este vinho, para se ver como a história duriense está ainda na sua infância.
Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996
Alentejo
É talvez a grande medalha enológica de António Saramago, enólogo dos Coelheiros, no coração do Alentejo. O perfil aromático mantém-se impecável e a experiência deste vinho é clássica.
Niepoort Batuta 1999
Douro
Quebrou com todos os cânones até então estabelecidos e largou o preconceito de ser português, ao chegar às posições cimeiras da crítica internacional. É com este vinho que começa a era moderna na Niepoort que hoje conhecemos.
Quinta da Casa Amarela Reserva 2003
Douro
É o mais novo dos vinhos de mesa alinhados nesta pequena selecção, mas é de inteira justiça que a integre. A elegância e o perfil são insuperáveis.
VINHOS DO PORTO
Niepoort Vintage 1945
A Niepoort é uma grande casa de vinhos do Porto e espero que continue a ser, mesmo com a afirmação que está a conseguir com os seus vinhos de mesa. Este 45 é apenas um dos muitos exemplos do que tem para dar.
Quinta dos Malvedos Vintage 1958
Apesar de ser um “single quinta”, este vintage é clássico a todos os títulos. E, como todos os Porto clássicos, eterno.
Quinta do Noval Nacional 1970
Vinha mítica, marca mítica, colheita difícil. Tudo factores que nos fazem admirar e maravilhar perante a produção, ano após ano, dos melhores vinhos do Porto.
Dow’s Vintage 1980
Os Dow’s são todos carnudos, vigorosos e vibrantes. Este 80 continua a apresentar uma cor quase impenetrável e uma vitalidade inigualável.
Taylor’s Vintage 1992
Foi para mim uma espécie de epifania e continua a ser. Está neste momento no seu ponto óptimo de consumo, infelizmente já difícil de encontrar.
Fonseca Vintage 1994
Fez capa da Wine Spectator quando, juntamente com o Taylor’s, teve 100 pontos de classificação. A linha Fonseca é sempre topo de gama e explica-se pela profundidade dos vinhos que apresenta. Grande experiência.
VINHOS MADEIRA
D’Oliveira Boal 1903
Produtor português, paradigma e emblema da ilha. Um portento de vitalidade, acima de qualquer conceito e preconceito.
Artur Barros e Sousa Bual 1908
Se a casta Bual (ou Boal) dá vinhos velhos fabulosos, está aqui um de que é impossível dizer a idade.
Barbeito Sercial 1910
A casa Barbeito merece todos os dias uma vénia, ainda hoje, pela franqueza dos seus vinhos e pela coerência de perfil que apresenta. Este vinho do início do Séc. XX é uma espécie de carta de princípios do produtor.
H. M. Borges Verdelho Solera 1915
Um vinho invulgar e talvez por isso surpreendente. Quando comparado com os outros grandes, continua no entanto a fazer valer os seus pergaminhos.
Blandy’s Bual 1920
Casa muito séria, a Blandy’s concebe sempre vinhos para o longo prazo. Três ou quatro gerações. Uma experiênica.
Leacock’s Sercial 1950
Devia figurar nos compêndios como o símbolo das virtudes e qualidades da casta Sercial. É notável.
Henriques & Henriques Sercial 1964
Esta casa é o meu “coup-de-coeur”. Os vinhos foram todos feitos com grande intenção e profundidade. De todos os notáveis, escolho este.
MOSCATEL DE SETÚBAL
JMF Moscatel 1934
É o único moscatel de Setúbal que figura nesta lista. Podia haver outros, mas seria injusta a comparação. Clássico absoluto e ao mesmo tempo luzeiro da região para tudo o que se fizer ou provar.
Esta é uma lista necessariamente emocional. Infelizmente, os grandes vinhos portugueses praticamente não existem nas compilações internacionais, mas deviam figurar, pela sua genuinidade, originalidade e qualidade. Um vinho fantástico é um vinho que tem pontuações elevadas na crítica, enquanto um grande vinho é um vinho que, podendo não chegar às pontuações mais elevadas, fala do sítio de onde vem e conta uma história. Esta é, portanto, uma lista de grandes vinhos, por isso também míticos.
Grandjó branco 1920
Douro
Um vinho branco absolutamente fenomenal, incrível pela sua longevidade e, mesmo agora, equilíbrio. Parece mel, esta maravilha, e que bem se porta à mesa!
Bussaco branco 1957
Beiras
Os vinhos do Hotel Palace do Buçaco tiveram no falecido José Santos um criador e guardião como poucos no mundo. De proveniências que só ele sabia, os vinhos tem um potencial de guarda fabuloso.
CRF Garrafeira Particular 1938
Vinho de Mesa
Outra marca mítica, a Carvalho Ribeiro e Ferreira albergava vinhos de todas as partes do país, visando apenas a qualidade do produto final. Este tinto de 38 não dá para acreditar, mas há muitos mais. Difícil é encontrá-los.
Colares Viúva Gomes 1960
Colares
Das terras de areia de Colares, saíram os vinhos que mais dividem os portugueses. Ou se amam ou se odeiam. Mesmo assim, uns e outros deviam conhecer esta relíquia de 60.
Caves de S. João 1961
Bairrada
A Bairrada no seu melhor, neste vinho de grande estilo, a oscilar entre um Saint Emilion (Bordéus, França) e um Barolo (Piemonte, Itália). Ainda se encontra nalgumas garrafeiras.
Mouchão 1963
Alentejo
Como se explica que um vinho alentejano tenha tamanha força e longevidade, com quase 50 anos? Quem souber a resposta, também sabe como se faz um grande vinho.
Barca Velha 1966
Douro
De todos os Barca Velha, à partida todos também de grande perfil, escolho este por ser aquele que cumpre o paradigma que o Douro de hoje procura. Elegância e equilíbrio, eternos.
Tapada do Chaves 1971
Alentejo
Outro portento alentejano, este já a raiar a Beira, com as suas vinhas de altitude e os invernos austeros.
Valle Pradinhos 1985
Trás-os-Montes
Desta casa, devíamos alinhar todos os vinhos, brancos e tintos, porque todos são fenomenais. Num solo complexo e clima muito difícil para a boa maturação das uvas, estão vinhas de antologia. Este 85 conta quase toda a história. Notável.
Coop. Agrícola de Granja Terras do Suão Garrafeira 1983
Alentejo
Fez furor na altura este alentejano lá bem de baixo quando se notabilizou num concurso internacional. Ainda hoje se mantém em óptima forma.
Quinta do Côtto Grande Escolha 1985
Douro
Esta quinta foi a primeira a engarrafar vinho de mesa no Douro, produzindo tintos de grande fôlego. Provar este vinho hoje é um grande prazer.
Esporão Reserva 1986
Alentejo
O primeiro vinho da casa que hoje dispensa apresentações. Fruto da visão de um homem a quem muito todos devemos, Joaquim Bandeira, foi com José Roquette que veio a receber o impulso empresarial fundamental. Um grande vinho, este 86.
Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Alentejo
Mais um alentejano! Júlio Bastos tem um património difícil de superar na sua frasqueira. Este garrafeira é para mim o pináculo da qualidade e o grande paradigma do que o Alentejo tem para dar.
Gonçalves Faria Tonel 5 1990
Bairrada
Apesar da fama de produzir vinhos rústicos e difíceis, a Bairrada produziu alguns vinhos históricos e eternos que no dizer de toda a gente sempre foram fantásticos. Aqui está um, para quem quer explorar o filão.
Quinta da Bica 1991
Dão
É uma das mais belas casas de Portugal e também um dos mais exóticos lugares de vinho. Resultado da paixão de João Sacadura Botte e do enólogo Magalhães Coelho, hoje ambos falecidos, saiu este vinho que não tem qualquer tipo de madeira no seu estágio. Hoje é Filipa, viúva do fundador, juntamente com a sua filha Madalena, que governa os seus destinos.
Duas Quintas Reserva 1992
Douro
Se utilizássemos a regra de quatro grandes vinhos numa década para eleger uma grande marca, o Duas Quintas Reserva certamente seria a campeã absoluta. João Nicolau de Almeida continua a repetir o milagre, agraciando-nos com vinhos assim. Este 92 não tem explicação. Ainda bem.
Quinta das Bágeiras Garrafeira 1995
Bairrada
Provém de vinhas centenárias este garrafeira, o primeiro e talvez o maior produzido pelo ainda jovem Mário Sérgio Alves Nuno. Há que provar as colheitas mais recentes para conferir a sua grande qualidade.
Luís Pato Vinha Pan 1995
Bairrada
Foi o primeiro vinho de terroir digno desse nome produzido por Luís Pato. Continua em grande forma e apto para a boa mesa, como se os anos não tivessem passado por ele.
Luís Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 1995
Bairrada
De um talhão de vinha pré-filoxérica teve Luís Pato o engenho de produzir este demonstrador das virtudes dos solos bairradinos. Quando saiu custava cerca de 100 Euros, o que foi um certa escândalo. Agora...
Quinta da Gaivosa 1995
Douro
Domingos Alves de Sousa conquistou, com a sua tenacidade e com o seu trabalho, uma reputação que o equipara a casas com mais poder económico, suas concorrentes. Este 95 foi o primeiro Gaivosa e provavelmente continua a ser o melhor.
Niepoort Redoma 1996
Douro
Lembro-me de sentir neste vinho o pulsar de um novo Douro, pela mão do então enigmático e curioso Dirk Niepoort. Ainda hoje vale a pena provar este vinho, para se ver como a história duriense está ainda na sua infância.
Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996
Alentejo
É talvez a grande medalha enológica de António Saramago, enólogo dos Coelheiros, no coração do Alentejo. O perfil aromático mantém-se impecável e a experiência deste vinho é clássica.
Niepoort Batuta 1999
Douro
Quebrou com todos os cânones até então estabelecidos e largou o preconceito de ser português, ao chegar às posições cimeiras da crítica internacional. É com este vinho que começa a era moderna na Niepoort que hoje conhecemos.
Quinta da Casa Amarela Reserva 2003
Douro
É o mais novo dos vinhos de mesa alinhados nesta pequena selecção, mas é de inteira justiça que a integre. A elegância e o perfil são insuperáveis.
VINHOS DO PORTO
Niepoort Vintage 1945
A Niepoort é uma grande casa de vinhos do Porto e espero que continue a ser, mesmo com a afirmação que está a conseguir com os seus vinhos de mesa. Este 45 é apenas um dos muitos exemplos do que tem para dar.
Quinta dos Malvedos Vintage 1958
Apesar de ser um “single quinta”, este vintage é clássico a todos os títulos. E, como todos os Porto clássicos, eterno.
Quinta do Noval Nacional 1970
Vinha mítica, marca mítica, colheita difícil. Tudo factores que nos fazem admirar e maravilhar perante a produção, ano após ano, dos melhores vinhos do Porto.
Dow’s Vintage 1980
Os Dow’s são todos carnudos, vigorosos e vibrantes. Este 80 continua a apresentar uma cor quase impenetrável e uma vitalidade inigualável.
Taylor’s Vintage 1992
Foi para mim uma espécie de epifania e continua a ser. Está neste momento no seu ponto óptimo de consumo, infelizmente já difícil de encontrar.
Fonseca Vintage 1994
Fez capa da Wine Spectator quando, juntamente com o Taylor’s, teve 100 pontos de classificação. A linha Fonseca é sempre topo de gama e explica-se pela profundidade dos vinhos que apresenta. Grande experiência.
VINHOS MADEIRA
D’Oliveira Boal 1903
Produtor português, paradigma e emblema da ilha. Um portento de vitalidade, acima de qualquer conceito e preconceito.
Artur Barros e Sousa Bual 1908
Se a casta Bual (ou Boal) dá vinhos velhos fabulosos, está aqui um de que é impossível dizer a idade.
Barbeito Sercial 1910
A casa Barbeito merece todos os dias uma vénia, ainda hoje, pela franqueza dos seus vinhos e pela coerência de perfil que apresenta. Este vinho do início do Séc. XX é uma espécie de carta de princípios do produtor.
H. M. Borges Verdelho Solera 1915
Um vinho invulgar e talvez por isso surpreendente. Quando comparado com os outros grandes, continua no entanto a fazer valer os seus pergaminhos.
Blandy’s Bual 1920
Casa muito séria, a Blandy’s concebe sempre vinhos para o longo prazo. Três ou quatro gerações. Uma experiênica.
Leacock’s Sercial 1950
Devia figurar nos compêndios como o símbolo das virtudes e qualidades da casta Sercial. É notável.
Henriques & Henriques Sercial 1964
Esta casa é o meu “coup-de-coeur”. Os vinhos foram todos feitos com grande intenção e profundidade. De todos os notáveis, escolho este.
MOSCATEL DE SETÚBAL
JMF Moscatel 1934
É o único moscatel de Setúbal que figura nesta lista. Podia haver outros, mas seria injusta a comparação. Clássico absoluto e ao mesmo tempo luzeiro da região para tudo o que se fizer ou provar.
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