terça-feira, 19 de junho de 2012

Cocktail Pearls, Chefes e Mendes Pereira no Kiss the Cook



Encontro marcado para as 4 da tarde de hoje, no “Kiss the Cook” da LX Factory. O programa era provar esferificações da Pescaviar (Espanha), integradas por Luís Barradas, sushiman e não só, e João Sá, chefe de mão segura, intelectualmente orientado, daqueles que ainda consegue dar emoção a uma mesa. Achei cómico, ver as bolinhas que já foram grande inovação cá pelo burgo e pelos burgueses do mundo, acondicionadas em boiões de vidro, prontas a usar. Ao mesmo tempo, fiquei muito aliviado, porque há assuntos da cozinha dita molecular que ou são executados de forma exemplar ou então mais vale comprar feito. Vêm então as esferas furiosas em seis variações difererentes: Maçã-Gengibre; Chili; Morango; Limão-Pimenta; Lima-Limão; e Vinagre-Chalota. Demasiado consensual a primeira, o gengibre está posto a medo, disseram-me por ser o que o mercado procura. Dava tudo para ter o telefone desse tal mercado! O Chili está bem, a cumprir o seu papel de intensificador de sabor. Lima-Limão interessante e Vinagre-Chalota a mostrar-se vocacionado para saladas e coisas frescas. O morango, a mim disse-me muito pouco, mas isso sou eu; a rapaziada presente estava toda bem-disposta. Talvez efeito dos copiosos vinhos da Quinta Mendes Pereira, pontificando hoje com um branco (Encruzado) e um rosé (Touriga Nacional). O Dão em esplendor. As janelas de vidrinhos do Kiss the Cook foram abençoadas por um sol que nas últimas semanas tem andado zangado com Lisboa e de repente até parecia que estávamos em Portobello Road. Saudades outra vez de Londres, e vim de lá há apenas 3 dias. Delícia.
A onda neste lugar é muito boa. A literatura disponível é um bocado cor-de-rosa – Jamie Oliver, e outras inglesisses à venda -, mas o plano de trabalhos é sério. É uma espécie de cozinha de sonho num jardim de inverno. As temperaturas das coisas de comer estavam totalmente erradas, mas havia coisas muito certas. O arroz para o sushi foi preparado por Luís Barbosa como deve ser, ali à nossa frente, enquanto britávamos umas tostinhas de salmão com bolinhas de chili, que lavávamos com branco (eu). Olhei à minha volta e a malta basicamente estava atirada ao rosé. Mudei para o vermelhinho, bem mais atinado para a cena sólida. Tataki de atum também não faltou, que com esferificações de maçã-gengibre. Bem. A única cabeçada foi a das ostras. Quentes quentes quentes, e além disso faltou-lhes a assessoria das esferinhas de lima-limão. Tive pena. Mas há coisas na vida piores. A série frutada das esferificações enfrascadas Pescaviar funciona. Deu-me vontade de experimentar, pelo que marquei na agenda o nome de Pablo Nogueira, o homem da Ecoatitude.
A comida de João Sá é sempre boa e tem sempre o que a vida deve ter: Temperança. É um artista do sabor por que poucos verdadeiramente deram até hoje. No Gspot, em Sintra, demonstra-o a toda a hora e com toda a força. Depois, falar com ele e com os acidentais de sempre, por exemplo Mário Cerdeira, Virgílio Gomes, Luís Portugal, José Nobre e João Cavaleiro Ferreira, é um prazer. Superado apenas pela surpresa de ali encontrar Cristina Lima, filha de Pedro Lima, dono do algarvio e bom Monte da Eira, restaurante referencial de Querença, e finalmente conhecer Ana Pena, super-consultora de imagem, espelho do próprio céu, aquele que se pensa sempre que já se perdeu, uma glória para qualquer mortal. Que encabulado fiquei.
Vai ser difícil esquecer esta tarde. Obrigado, Raquel Mendes Pereira.

domingo, 27 de maio de 2012

Brilho branco em Azeitão

A Bacalhôa Vinhos apresentou os seus vinhos brancos no dia exacto em que a chuva deu lugar ao resplendor estival. Dez vinhos novos e glórias mais antigas.
Quem anda no mundo do vinho tem de estar sempre preparado para a surpresa. A prova de vinhos brancos que a Bacalhôa preparou no histórico Palácio da Bacalhôa, em Azeitão, não podia ser demonstração mais clara desse princípio fundador. Provenientes da Península de Setúbal, Alentejo, Bairrada e Dão, foram dez os vinhos apresentados na varanda que dá para o jardim e para a vinha velha que alimenta ainda hoje o Quinta da Bacalhôa. O sol e calor que se fizeram sentir foram para além das boas-vindas à Primavera; antes, prenunciaram o Verão quente e sequioso que Portugal sempre tem. A mesa é para nós lugar de festa e na canícula saudamos o bom vinho branco. Aquele que nos permite saborear em modo feliz um peixe grelhado. Que nos faz estar no descasque de marisco por mais de uma hora. Que nos faz perceber a virtude de um queijo. E sobretudo que condiz com o trajar mais ligeiro e fresco, a pensar na praia, quando não já com os pés na areia.
Filipa Tomaz da Costa e Vasco Penha Garcia, os enólogos da casa, acompanharam a prova com o carinho de quem fala dos seus filhos. Nada podia fazer imaginar, no entanto, que na altura do brilhante almoço servido pela Casa da Comida iria haver um desfile de coisas antigas. Genial, o Late Harvest 1982, o primeiro de todos, fulminantes os Cova da Ursa Chardonnay de 2006 e 2004, especialmente este último, e o Catarina 1981, que eu classifico como campeão de todo o evento. Destrói, como tantos outros, o mito de que os brancos portugueses não envelhecem bem. Com este tipo de equilíbrio e elegância, são eternos.


OS VINHOS

15 - JP Azeitão Regional Península de Setúbal branco 2011 – 1,99 Eur
Imbatível na relação preço-qualidade, apresenta o melhor balanço entre as castas Moscatel e Fernão Pires. Brilhante para um copo no final de uma tarde de sol.

16 – Serras de Azeitão Seleção do Enólogo Regional Península de Setúbal branco 2011 – 2,49 Eur
Feito de Fernão Pires, Verdelho e Arinto, consegue uma boa estrutura de boca e revela uma frescura que o distingue dos vinhos da região. Vai bem com queijo de Azeitão.

16,5 – Catarina Regional Península de Setúbal branco 2011 – 5 Eur
Tudo muito afinado neste vinho, a apresentar um comprimento de boca interessante, num registo de complexidade. Vinho bom para sushi.

17 – Cova da Ursa Chardonnay Regional Península de Setúbal branco 2011 – 12 Eur
É uma das referências nacionais da casta Chardonnay. A boa colheita que foi 2011 faz-se sentir aqui num vinho de recorte clássico e sofisticado. Foi provado ao lado do 2010 e teve a mesma nota. Fabuloso para uma boa caldeirada.

18 – Quinta da Bacalhôa Regional Península de Setúbal branco 2010 – 14 Eur
Está aqui um grande vinho, com muito ainda para dar. Muito afinado e elegante, apresenta fruta, flores e especiarias em conjunto de grande equilíbrio. É vinho para estar horas à mesa, de volta de um pargo assado.

16 – Quinta dos Loridos Alvarinho Regional Lisboa branco 2010 – 4,5 Eur
Se atentarmos no preço, é um campeão e só por si mostra-se na linha das edições anteriores. Demonstra bem o potencial da casta Alvarinho fora da região dos Verdes. Dada a sua boa acidez, vai bem com uma feijoada de chocos.

14,5 – Alabastro Regional Alentejano branco 2011 – 3 Eur
Vinho directo e capaz, proporciona prova agradável, com tudo integrado numa tonalidade madura, como se espera de um vinho alentejano. Clara vocação petisqueira. Percebes, amêijoas à Bulhão Pato são boas harmonizações.

17 – Quinta do Carmo Regional Alentejano branco 2011 – 7,50 Eur
Muito bem trabalhado. Fino, com contornos bem definidos, desenvolve complexidade apreciável na boca. Pede arroz de marisco ou uma boa açorda de camarão.

14,5 – Angelus Escolha DOC Bairrada branco 2011 – 3 Eur
Está ligeiramente magro na boca, mas apresenta boa tipicidade bairradina, dando prazer a beber. É vinho para aguentar bem uma caldeirada de enguias.

15,5 – Galeria Bical DOC Bairrada branco 2011 – 4 Eur
Saúda-se neste vinho a originalidade e o trabalho feito sobre a casta Bical que sai com um corte evocativo de outras, como Arinto. Bom para a muito regional raia de pitau.

16 – Quinta da Garrida DOC Dão branco 2011 – 5 Eur
Bom exemplar para quem quer conhecer a casta Encruzado sem gastar muito. Aprecia-se nele a frescura e o comprimento em boca. Vai bem como bacalhau à lagareiro.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Vinhos Míticos Portugueses

Escrevi há cerca de um mês, ao correr da pena, uma lista de "Vinhos Míticos", para publicar num suplemento do DN/JN. Por imperativos de espaço editorial, o texto saiu bastante cortado, pelo que deixo aqui o original.

Esta é uma lista necessariamente emocional. Infelizmente, os grandes vinhos portugueses praticamente não existem nas compilações internacionais, mas deviam figurar, pela sua genuinidade, originalidade e qualidade. Um vinho fantástico é um vinho que tem pontuações elevadas na crítica, enquanto um grande vinho é um vinho que, podendo não chegar às pontuações mais elevadas, fala do sítio de onde vem e conta uma história. Esta é, portanto, uma lista de grandes vinhos, por isso também míticos.

Grandjó branco 1920
Douro
Um vinho branco absolutamente fenomenal, incrível pela sua longevidade e, mesmo agora, equilíbrio. Parece mel, esta maravilha, e que bem se porta à mesa!

Bussaco branco 1957
Beiras
Os vinhos do Hotel Palace do Buçaco tiveram no falecido José Santos um criador e guardião como poucos no mundo. De proveniências que só ele sabia, os vinhos tem um potencial de guarda fabuloso.

CRF Garrafeira Particular 1938
Vinho de Mesa
Outra marca mítica, a Carvalho Ribeiro e Ferreira albergava vinhos de todas as partes do país, visando apenas a qualidade do produto final. Este tinto de 38 não dá para acreditar, mas há muitos mais. Difícil é encontrá-los.

Colares Viúva Gomes 1960
Colares
Das terras de areia de Colares, saíram os vinhos que mais dividem os portugueses. Ou se amam ou se odeiam. Mesmo assim, uns e outros deviam conhecer esta relíquia de 60.

Caves de S. João 1961
Bairrada
A Bairrada no seu melhor, neste vinho de grande estilo, a oscilar entre um Saint Emilion (Bordéus, França) e um Barolo (Piemonte, Itália). Ainda se encontra nalgumas garrafeiras.

Mouchão 1963
Alentejo
Como se explica que um vinho alentejano tenha tamanha força e longevidade, com quase 50 anos? Quem souber a resposta, também sabe como se faz um grande vinho.

Barca Velha 1966
Douro
De todos os Barca Velha, à partida todos também de grande perfil, escolho este por ser aquele que cumpre o paradigma que o Douro de hoje procura. Elegância e equilíbrio, eternos.

Tapada do Chaves 1971
Alentejo
Outro portento alentejano, este já a raiar a Beira, com as suas vinhas de altitude e os invernos austeros.

Valle Pradinhos 1985
Trás-os-Montes
Desta casa, devíamos alinhar todos os vinhos, brancos e tintos, porque todos são fenomenais. Num solo complexo e clima muito difícil para a boa maturação das uvas, estão vinhas de antologia. Este 85 conta quase toda a história. Notável.

Coop. Agrícola de Granja Terras do Suão Garrafeira 1983
Alentejo
Fez furor na altura este alentejano lá bem de baixo quando se notabilizou num concurso internacional. Ainda hoje se mantém em óptima forma.

Quinta do Côtto Grande Escolha 1985
Douro
Esta quinta foi a primeira a engarrafar vinho de mesa no Douro, produzindo tintos de grande fôlego. Provar este vinho hoje é um grande prazer.

Esporão Reserva 1986
Alentejo
O primeiro vinho da casa que hoje dispensa apresentações. Fruto da visão de um homem a quem muito todos devemos, Joaquim Bandeira, foi com José Roquette que veio a receber o impulso empresarial fundamental. Um grande vinho, este 86.

Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Alentejo
Mais um alentejano! Júlio Bastos tem um património difícil de superar na sua frasqueira. Este garrafeira é para mim o pináculo da qualidade e o grande paradigma do que o Alentejo tem para dar.

Gonçalves Faria Tonel 5 1990
Bairrada
Apesar da fama de produzir vinhos rústicos e difíceis, a Bairrada produziu alguns vinhos históricos e eternos que no dizer de toda a gente sempre foram fantásticos. Aqui está um, para quem quer explorar o filão.

Quinta da Bica 1991
Dão
É uma das mais belas casas de Portugal e também um dos mais exóticos lugares de vinho. Resultado da paixão de João Sacadura Botte e do enólogo Magalhães Coelho, hoje ambos falecidos, saiu este vinho que não tem qualquer tipo de madeira no seu estágio. Hoje é Filipa, viúva do fundador, juntamente com a sua filha Madalena, que governa os seus destinos.

Duas Quintas Reserva 1992
Douro
Se utilizássemos a regra de quatro grandes vinhos numa década para eleger uma grande marca, o Duas Quintas Reserva certamente seria a campeã absoluta. João Nicolau de Almeida continua a repetir o milagre, agraciando-nos com vinhos assim. Este 92 não tem explicação. Ainda bem.

Quinta das Bágeiras Garrafeira 1995
Bairrada
Provém de vinhas centenárias este garrafeira, o primeiro e talvez o maior produzido pelo ainda jovem Mário Sérgio Alves Nuno. Há que provar as colheitas mais recentes para conferir a sua grande qualidade.

Luís Pato Vinha Pan 1995
Bairrada
Foi o primeiro vinho de terroir digno desse nome produzido por Luís Pato. Continua em grande forma e apto para a boa mesa, como se os anos não tivessem passado por ele.

Luís Pato Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco 1995
Bairrada
De um talhão de vinha pré-filoxérica teve Luís Pato o engenho de produzir este demonstrador das virtudes dos solos bairradinos. Quando saiu custava cerca de 100 Euros, o que foi um certa escândalo. Agora...

Quinta da Gaivosa 1995
Douro
Domingos Alves de Sousa conquistou, com a sua tenacidade e com o seu trabalho, uma reputação que o equipara a casas com mais poder económico, suas concorrentes. Este 95 foi o primeiro Gaivosa e provavelmente continua a ser o melhor.

Niepoort Redoma 1996
Douro
Lembro-me de sentir neste vinho o pulsar de um novo Douro, pela mão do então enigmático e curioso Dirk Niepoort. Ainda hoje vale a pena provar este vinho, para se ver como a história duriense está ainda na sua infância.

Tapada de Coelheiros Garrafeira 1996
Alentejo
É talvez a grande medalha enológica de António Saramago, enólogo dos Coelheiros, no coração do Alentejo. O perfil aromático mantém-se impecável e a experiência deste vinho é clássica.

Niepoort Batuta 1999
Douro
Quebrou com todos os cânones até então estabelecidos e largou o preconceito de ser português, ao chegar às posições cimeiras da crítica internacional. É com este vinho que começa a era moderna na Niepoort que hoje conhecemos.

Quinta da Casa Amarela Reserva 2003
Douro
É o mais novo dos vinhos de mesa alinhados nesta pequena selecção, mas é de inteira justiça que a integre. A elegância e o perfil são insuperáveis.


VINHOS DO PORTO

Niepoort Vintage 1945
A Niepoort é uma grande casa de vinhos do Porto e espero que continue a ser, mesmo com a afirmação que está a conseguir com os seus vinhos de mesa. Este 45 é apenas um dos muitos exemplos do que tem para dar.

Quinta dos Malvedos Vintage 1958
Apesar de ser um “single quinta”, este vintage é clássico a todos os títulos. E, como todos os Porto clássicos, eterno.

Quinta do Noval Nacional 1970
Vinha mítica, marca mítica, colheita difícil. Tudo factores que nos fazem admirar e maravilhar perante a produção, ano após ano, dos melhores vinhos do Porto.

Dow’s Vintage 1980
Os Dow’s são todos carnudos, vigorosos e vibrantes. Este 80 continua a apresentar uma cor quase impenetrável e uma vitalidade inigualável.

Taylor’s Vintage 1992
Foi para mim uma espécie de epifania e continua a ser. Está neste momento no seu ponto óptimo de consumo, infelizmente já difícil de encontrar.

Fonseca Vintage 1994
Fez capa da Wine Spectator quando, juntamente com o Taylor’s, teve 100 pontos de classificação. A linha Fonseca é sempre topo de gama e explica-se pela profundidade dos vinhos que apresenta. Grande experiência.


VINHOS MADEIRA

D’Oliveira Boal 1903
Produtor português, paradigma e emblema da ilha. Um portento de vitalidade, acima de qualquer conceito e preconceito.

Artur Barros e Sousa Bual 1908
Se a casta Bual (ou Boal) dá vinhos velhos fabulosos, está aqui um de que é impossível dizer a idade.

Barbeito Sercial 1910
A casa Barbeito merece todos os dias uma vénia, ainda hoje, pela franqueza dos seus vinhos e pela coerência de perfil que apresenta. Este vinho do início do Séc. XX é uma espécie de carta de princípios do produtor.

H. M. Borges Verdelho Solera 1915
Um vinho invulgar e talvez por isso surpreendente. Quando comparado com os outros grandes, continua no entanto a fazer valer os seus pergaminhos.

Blandy’s Bual 1920
Casa muito séria, a Blandy’s concebe sempre vinhos para o longo prazo. Três ou quatro gerações. Uma experiênica.

Leacock’s Sercial 1950
Devia figurar nos compêndios como o símbolo das virtudes e qualidades da casta Sercial. É notável.

Henriques & Henriques Sercial 1964
Esta casa é o meu “coup-de-coeur”. Os vinhos foram todos feitos com grande intenção e profundidade. De todos os notáveis, escolho este.


MOSCATEL DE SETÚBAL

JMF Moscatel 1934
É o único moscatel de Setúbal que figura nesta lista. Podia haver outros, mas seria injusta a comparação. Clássico absoluto e ao mesmo tempo luzeiro da região para tudo o que se fizer ou provar.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dinner by Heston Blumenthal, ganha a estrela!



Já está confirmado. O Dinner by Heston Blumenthal, restaurante do Mandarin Oriental Hotel, em Londres, acaba de receber a primeira estrela Michelin, meses depois de ter aberto.

É o triunfo do rigor e do acerto. Heston Blumenthal, detentor de 3 estrelas Michelin no The Fat Duck, arrecada mais uma estrela.

Parabéns para ele, e sobretudo parabéns para o NOSSO João Pires, Sommelier Chefe no restaurante.

Brilhante.

Na foto: Ashley Palmer Watts e Heston Blumenthal

Morreu Steve Jobs



MORREU STEVE JOBS. Só alguns se lembram do computador NeXT, de que eu, se me é permitida a imodéstia, fui o primeiro jornalista a dar conta "na devida conta", criando a secção "O Cantinho da NeXT", no suplemento Computadores do Jornal Semanário. Fiquem então sabendo que tudo o que está hoje no iPhone e no iPad já estava, em 1990, na NeXT. Muito podia eu contar, muito podia eu dizer acerca do tempo que Bill Gates nos forçou a perder, quando ainda hoje apresenta sistemas operativos miseráveis, que eu utilizava nas minhas aulas para demonstrar ao vivo como era frágil e mau. O mundo premiou Bill Gates, dando-lhe muitos milhões a ganhar. Steve Jobs rondou a falência por 3 vezes, que eu me lembre, mas levantou-se sempre, e é dele que sempre nos recordaremos com o afecto de quem se recorda de um pai. Se fosse preciso explicar, seria com isto: foi sempre o homem que soube criar o que nós ainda não sabíamos que precisávamos. Vai do coração para o céu: MUITO OBRIGADO!

domingo, 2 de outubro de 2011

Sunday Brunch, como deve ser!


Ainda há razões para acreditar que a boa vida não se acabou. Desossei um frango ontem, que comprei no Talho do José Luís, que por sua vez me ofereceu três salsichas frescas de porco, juntamente com alguns miúdos. Também me pôs no saco 12 fatias fininhas, como eu gosto, de presunto feito à antiga, em fumeiro. Na minha peixaria, como já aterrei tarde, só consegui comprar uns carapauzinhos que até estavam fresquíssimos. Ao mesmo tempo, tinha em casa conservas dos Açores, marca Santa Catarina, que o Edgardo me tinha dado há já algum tempo. E uma garrafinha de Arinto de Bucelas. Então que deu isto tudo? Um almoço de Domingo fora de série. Tudo low-cost! Vejam só:

Rolinhos de frango - Abre-se 3 salsichas frescas de porco, a que se junta fígado de frango, bem como as aparas da desossa da ave. Ao amassar, dá-se um golpe de vinagre, pica-se tudo muito bem, acrescentando no final queijo emmenthal ralado na altura. Tempera-se a gosto e polvilha-se sem excesso com farinha Maizena. Dos peitos, dá-se golpes sucessivos, ao longo da fibra, de forma a extrair "tapetes finos" de carne. Massaja-se com os dedos passados por azeite virgem e esfrega-se com flor de sal. Recheia-se com o preparado acima e fecha-se os rolinhos com a ajuda de palitos ou cordel culinário. Leva-se ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 45 minutos, depois 15 minutos a 240ºC. Deixa-se arrefecer e depois de frio reserva-se no frio para o dia seguinte, em filme de cozinha.

Estupeta de Barriga de Atum - PIca-se em brunesa fina um tomate chucha pelado e desgrainhado, e dá-se igual tratamento a uma cebola de semente portuguesa média e a dois dentes de alho. Rega-se com vinagre de vinho branco e polvilha-se com salsa picada. Corta-se picadinho o conteúdo de uma lata de Ventresca de Atum Santa Catarina, ao qual se junta o resultado do trabalho previamente descrito. Guarda-se uma hora no frio, regado com um fio de azeite virgem extra.

Salada de Atum e Batata Doce dos Açores - Fácil! Basta - para mim... - juntar azeitonas verdes descaroçadas e cortadas às rodelas fininhas - ao fabuloso conteúdo de uma lata Santa Catarina de Salada de Atum e Batata Doce. Flor de sal e já está!

Carapauzinhos de escabeche - Salgam-se os carapaus, deixando ficar meia hora. Polvilha-se depois abundantemente com uma mistura de 2/3 farinha de milho e 1/3 farinha de trigo. Fritam-se em óleo bem quente, 220ªC, cerca de 2 minutos. Reserva-se em papel absorvente. Corta-se em tiras 1 cebola por cada 8 carapaus, que se leva, com azeite, pimentão doce e folha de louro, a fervilhar até a cebola ficar translúcida. Deita-se por cima dos carapaus fritos, deixa-se arrefecer e guarda-se no frio.

Também temperei com alho desnervurado picado, orégãos e limão umas azeitonas retalhadas. E, claro, pus na mesa o presunto fininho. O queijo foi posto em três variantes: 1) Queijo da Beira Baixa à cabreira (cerca de 30% leite de cabra); 2) Queijo Castelo Branco com 8 meses de cura; e 3) Serpa curado.

Bom apetite e Bom Domingo!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jonathan Nossiter: “Eu não sou um profeta”




Realizador do polémico Mondovino, um filme de tese no qual colocou face a face industriais e autores de vinhos, Jonathan Nossiter escreveu um livro ainda mais acutilante, “Le Goût et le Pouvoir” – Gosto e Poder -, publicado entre nós com o título Mondovino. Não se trata do livro do filme, nem a mensagem é a mesma, já que se fixa em definitivo na exposição das complexas redes de interesses que envolvem jornalistas, produtores, enólogos e negociantes, numa prosa de fácil leitura, à qual ninguém fica indiferente. Nossiter vive no Brasil com a sua família, a sua profissão é cineasta e com a publicação do livro considera encerrada a sua contribuição pública para o cenário mundial do vinho. Cidadão do mundo, nasceu nos EUA e por força da profissão do seu pai como correspondente internacional do Washington Post, viveu em França, Inglaterra, Itália, Grécia e Índia. O invulgar conhecimento que tem do negócio e das pessoas do vinho – já foi sommelier - , juntamente com a sua perspectiva independente, tornaram-no no mais qualificado relator e delator dos fenómenos globalizantes do vinho, na sua opinião a mais perigosa das actuais tendências do sector.


É pena ter-se chamado Mondovino à tradução portuguesa do Le Goût et e Pouvoir.
Sim, isso não foi escolha minha. Nos outros países, ele chama-se Gosto e Poder. São obras totalmente distintas; a ideia do livro não é retomar o conceito do filme. Até porque a pessoa que escreveu o livro é diferente da que fez o filme.

No livro, dá uma tónica cultural acentuada ao vinho
Tive duas coisas que me animaram. A primeira foi falar do vinho num contexto cultural geral; onde toda a gente cabe. O vinho tornou-se num produto do consumismo do mercado e no entanto ele vem dos primórdios da relação do ser humano com o planeta e com os outros seres humanos. A outra coisa, foi poder dar voz a alguns produtores que têm uma forma radicalmente diferente de falar daquela que os críticos utilizam.

Por outro lado, ao ir contra a moda, está a criar uma outra moda…
As coisas não se devem ver assim. Eu respeito toda a gente. Eu não sou vegetariano, por exemplo, mas respeito aqueles que o são. Da mesma forma que repudio os vegetarianos que atacam toda a gente que come carne! Nos vinhos, fiquei com a fama de atacar o crítico norte-americano Robert Parker e de ser seu inimigo, o que não é muito justo. Eu não tenho nada contra ele, até acho que ele tem lugar no mundo do vinho. Só me preocupa que ele se torne dominante no mundo.

Deduz-se que não gosta dos “vinhos Parker”.
Pessoalmente, eu não gosto dos vinhos com pouca acidez, concentrados, com sabor adocicado, grau alcoólico elevado e notas fortes de carvalho francês. Eu gosto de vinho com acidez pronunciada, por exemplo e o facto de por vezes um vinho estar oxidado não é suficiente para eu o por de parte.

Um vinho com defeitos não é necessariamente um mau vinho.
Claro que não, há que olhar para ele como um conjunto. No Brasil, tanto a temperatura ambiente como a pressão barométrica fazem evoluir os vinhos mais depressa do que noutros sítios. Encontrei há pouco tempo umas meias-garrafas de Frei João branco num supermercado do Rio de Janeiro que achei fantásticas. Um provador dos nossos dias teria dito que elas estavam arruinadas, mas deu-me muito prazer bebê-las.

Os leitores do seu livro podem convencer-se que abomina tudo o que é vinho moderno e concentrado?
Não, nem pensar! Eu gosto do vinho que é expressão directa do sítio de onde provém. Especialmente para quem vive na cidade, é aí que reside muito do seu interesse. Se numa prateleira os vinhos forem todos iguais, o que ganhamos com isso?

Os vinhos ditos biológicos trouxeram essa promessa…
E muitos falharam! Se eu sou normalmente contra os vinhos industriais, por nos afastarem dos vinhedos e do terroir original, também sou muitas vezes contra os “vinhos bio”. Em França, há a moda do “bar a vins bio” (bar de vinhos biológicos), quando em muitos só há marketing, vinhos maus, mal feitos. Sou radicalmente contra essa onda.

Facilmente surgem correntes que mais parecem religiões.
O que é perverso e se deve evitar absolutamente! A biodinâmica nalguns produtores esconde muitas vezes atitudes radicais e extremistas.

Refere no seu livro o borgonhês Dominique Lafon como exemplo de inteligência na utilização da biodinâmica.
E é de facto exemplar, porque não abdica do seu conhecimento herdado das gerações anteriores nem da sua inteligência para adoptar. Ele melhorou as suas vinhas de Montrachet, conseguiu resultados muito bons para os seus vinhos e não teve de se render ao fanatismo biodinâmico.

Há muitos caminhos para chegar aos bons vinhos?
Muitos, quase tantos quantas as pessoas que os estão a fazer. Isso foi qualquer coisa que eu quis deixar muito claro com o meu livro. A diversidade é muito importante.

Na Borgonha, com duas castas apenas – Chardonnay e Pinot Noir – a diversidade não é problema.
Isso foi trabalho do tempo e também da exigência de individualidade que caracteriza o povo francês. Cada um parece saber muito bem o que o distingue dos restantes e tem muito orgulho nisso. Esse que pode ser um grande defeito é também uma grande virtude, porque as influências exteriores e as modas praticamente não têm lugar. É que às vezes, especialmente na Borgonha, é nos aspectos mais finos e subtis que estão as grandes diferenças. Elementos históricos, geológicos, humanos, culturais, proporcionam em conjunção uma personalidade ímpar aos vinhos.

Um potencial realizado, contra o potencial ainda por descobrir noutros locais?
Nas terras do Luís Pato, por exemplo, quem sabe qual pode ser o futuro. O passado é rico e relativamente conhecido. Talvez não tenha chegado ainda ao nível da Borgonha, mas há muito poucas no mundo que conseguiram esse feito. Há que conhecer melhor e continuar sempre esse trabalho, resistindo à globalização.

Como Bordéus?
Bom, Bordéus é diferente. O que determinou a importância e evolução de Bordéus foi claramente o negócio, a internacionalização e as exportações. São mais de oito séculos de desenvolvimento a pensar em agradar às comunidades exteriores. Aliás, só assim se explica que desde há 25 anos os seus vinhos se tenham tornado totalmente globais. Hoje, mesmo os vinhos de topo quase perderam as suas características genuínas. Bordéus, Espanha e Califórnia, quase todas produzem hoje o mesmo perfil de vinhos.

É bem-vindo em Bordéus?
Acho que não! Sou mais ou menos persona non grata entre os bordaleses mais poderosos. Mas há um fenómeno que é muito interessante. Depois do filme e depois do livro, tive muitos vinhateiros da região que vieram ter comigo a agradecer ter tocado na ferida e no que é essencial, que é a veracidade e genuinidade dos vinhos de Bordéus. Pura e simplesmente, antes eles tinham medo de falar. O meio é muito mafioso.

O seu livro denuncia muitas “ligações perigosas” entre críticos, produtores e negociantes.
Que são verdadeiras e demonstráveis. Veja o que se passa com a Revue du Vin de France que, sendo uma das mais influentes de França, tem práticas correntes de corrupção que arrastam leitores e consumidores para a total confusão e perversão. Veja a Decanter, no Reino Unido e compare conteúdo editorial com publicidade e logo vê. Em todo o mundo, as principais revistas estão minadas pela corrupção.

Parker tornou-se um grande especialista de Bordéus mas não da Borgonha. Porquê?
Porque os produtores da Borgonha têm a personalidade de Astérix! Resistir até ao fim! Eles vão sempre resistir ao poder imperial. As opiniões de Parker não contam entre eles. O que pode ser um modelo para o resto do mundo, para os produtores que oferecem ao mercado o seu próprio perfil e os vinhos que reflectem a sua personalidade. Estou muito animado com o fenómeno italiano, que fez com que em 15 anos em quase todas as regiões apresentasse sinais evidentes de resistência à globalização.

Mesmo a Toscana?
Sim, até a Toscana. Eu cresci na Toscana e só agora, que estou a viver no Brasil, estou a tomar contacto com vinhos toscanos fantásticos que eu não conhecia!

Renuncia à ideia de ser um profeta anti-globalização nos vinhos?
Eu não sou profeta de coisa alguma. Eu ganho a minha vida a fazer filmes e é isso que vou continuar a fazer. O que Mondovino (filme) e “Le Goût et le Pouvoir” (livro) representam é a minha análise enquanto observador atento. Eu não faço tenções de continuar a intervir no sector dos vinhos. A minha obra nesse sentido acaba aqui.

Veremos…
Penso que fico por aqui. Eu faço tudo com muita paixão, o que se nota muito no meu trabalho sobre os vinhos e tudo o que o rodeia. São os meus filmes que são aquilo que eu faço.

A propósito, têm aparecido alguns filmes que falam do vinho e que têm ido bastante sucesso. Como os vê? O Sideways, por exemplo.
O caso concreto do Sideways, foi claramente uma operação de marketing. As vendas de Pinot Noir californiano subiram bastante após o filme, o que me parece ter sido a principal intenção. É um problema complexo, o da independência da arte em relação ao capital. O realizador desse filme, Alexander Payne, é um bom profissional e tem no seu passado filmes que eu considero muito. O “Eleição”, por exemplo, é uma crítica muito dura da sociedade americana, cheia de acidez e coragem. Agora, tornou-se num realizador bonzinho e alinhado com o sistema, o que não deixa de me surpreender.

Depois, há o aspecto objectivo que muitos dos filmes que tratam de vinho insistem em mostrar, que é da associação do vinho à sedução…
(gargalhada) É verdade! Mas há outros que vão mostrando aspectos ideológicos bastante mais preocupantes. “Bottleshock”, filme de imenso sucesso nos EUA e que penso não ter chegado ainda à Europa, fala da célebre prova de Paris de 1976 [que opôs França à Califórnia, com a vitória desta última].

Franceses contra americanos, num filme de um americano, é fácil imaginar no que dá!
Publicidade gratuita contra “o francês” patético, chato, tradicional e idiota, enquanto mostra o americano como maravilhoso e aberto ao mundo que conquista o sucesso por mérito próprio! Espelho de uma cultura realmente virada para si própria.

Já agora, por que não ganhou França a prova?
Para começar, eu acho que uma prova cega não tem qualquer valor científico; só tem valor lúdico. Provar um vinho durante 20 segundos e cuspir é como beijar uma miúda para avaliar como seria a minha vida com ela para o resto da vida! É um insulto!

Então é radicalmente contra as provas tal como se fazem hoje em dia?
Elas são, para mim, um grande nada! Você pode avaliar algumas coisas, mas é impossível fazer um juízo correcto do conjunto complexo de coisas que é um vinho. Além disso, um vinho francês dessa altura demora muito mais tempo a amadurecer do que um vinho da Califórnia, por isso onde está a justiça de provar ambas as proveniências com o mesmo tempo de maturação?

No entanto, nos anos 70 a Califórnia estava ainda longe da super-concentração que se conheceu mais tarde.
Sim, mas pôr em prova vinhos franceses com apenas 3 anos de idade é condená-los à partida, sobretudo daquela época! Eu tive a sorte de provar vinhos californianos muito bons, da década de 70. Tal como o cinema americano de então, cheios de defeitos mas cheios de energia e personalidade. É claro que, comparando esses vinhos com os agrestes e crus vinhos franceses da mesma altura, as pessoas os preferiram.

Os vinhos clássicos franceses precisavam de mais de uma década para atingir a maturidade.
Os Meursault Charmes do pai de Jean-Marc Roulot (Borgonha) eram ainda mais ácidos que os do filho, difíceis de apreciar plenamente com menos de 10-15 anos de maturação. É claro que não podiam ser aclamados.

Mas 30 anos depois, os franceses voltaram a perder…
Isso não é inteiramente verdade, até porque alguns produtores não enviaram os seus vinhos para a prova. Jean-Marc Roulot, por exemplo, recusou-se a apresentar os seus vinhos.

São provas importantes, não são?
Nada importantes. Elas fazem parte do negócio do vinho, mas nada têm a ver com a cultura do vinho.

Parece também um processo freudiano, de “matar o pai”.
Sim, nesse sentido os franceses são um pai que merecer ser morto, mas que há que ressuscitar depois, assumido de outra forma!

Porque é França que continua a marcar o ritmo?
Penso que já não. O nova-iorquino consumidor de vinhos, já opta, por exemplo, pelos brancos alemães e austríacos, pela grande complexidade e profundidade que conseguem apresentar. São, num certo sentido, colocados a par com os grandes brancos da Borgonha, com preços muito mais baixos.

Está tudo mais distribuído?
Já não há um país apenas, apesar de França ser o mais importante. Há 25 países onde se estão a fazer vinhos cheios de personalidade, com a marca do seu autor. Sinal mais saudável não há!

Mas agora estamos em plena crise e muitos não vão aguentar.
Ainda agora vim de Paris, onde estive com o chefe Alain Dutournier, do restaurante Carré des Feuillants – para mim, a melhor mesa de Paris, já agora – um dos raros chefes que tem uma grande paixão pelo vinho. Em vez de estar preocupado com a crise, vi-o muito confiante.

A crise também traz oportunidades?
Para ele, esta crise vai fazer desaparecer os que ele chama de David Copperfields da gastronomia, deixando lugar para quem traz alimentação saudável para o ser humano, seja na comida seja no vinho. Eu acho que ele tem razão, apesar de lamentar o sofrimento que isso vai trazer.

A terminar, quais são os vinhos que tem na sua garrafeira?
Eu tenho vinhos de 25 países na minha garrafeira. É uma selecção estritamente pessoal, como deviam ser todas as garrafeiras. Muitos deles são feitos por pessoas que eu conheço e respeito muito, com quem tenho aprendido todos os dias qualquer coisa.